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terça-feira, 16 de agosto de 2011

Entrevista: Dreadnox (Agosto 2011)


A banda Dreadnox está de volta à Cena Metal Carioca e Nacional.
A banda que conta com: Fabio Schneider (vocal), Dead Montana (baixo), Kiko Dittert (guitarra) e Felipe Curi (bateria) dará a partida no show junto com a banda Lost Forever no Teatro Odisséia dia 21 de agosto.

“Dance Of Ignorance” é um nome muito interessante para o álbum e que contrasta bastante com a capa do mesmo. Como foram feitas as escolhas do nome e da capa?

Quando escrevi sobre a “Dance of Ignorance”, pensei na maneira que os poderosos, políticos, milionários, governo etc manipulam a vida das pessoas, principalmente os pobres. É como uma dança, pra lá e pra cá, de acordo com os seus interesses. Baseado nessa letra, o mestre Gustavo Sazes, sacou a ideia e desenvolveu, de forma espetacular, a capa do álbum. Como era a música de mais gostávamos, decidimos colocá-la como a faixa-título.


Dia 21 de agosto, no Teatro Odisséia – Centro RJ será realizado o show do lançamento oficial do “Dance Of Ignorance”. O que esperar desse show que será realizado junto com a banda Lost Forever que também está lançando seu novo álbum chamado “Rising” ?

Aproveitando o título do novo álbum da galera do Lost Forever, acredito que seja esse levante, essa nova fase das nossas carreiras que, após muita perseverança, passando por inúmeras mudanças, dificuldades de toda ordem, significa a volta por cima, definitiva, com força total para levar o nome da cena metal carioca para todo o Brasil e para o mundo. Tenho certeza de que o público presente vai sair muito orgulhoso de todos nós.

Podemos esperar alguma surpresa no setlist ?

Vamos tocar 3 covers, sendo 2 de uma banda de Thrash e 1 de um “senhor” muito famoso do metal tradicional.

Já estão pensando em mais shows para a divulgação do novo cd ?

Sim, já estamos adiantados nas negociações, mas ainda não podemos divulgar.

Gostaríamos de agradecer pela entrevista, e fica aí o espaço para mandar uma mensagem para os seus fãs e os futuros fãs também!

Amigos, compareçam! Vamos estremecer aquele teatro tocando um metal com muita qualidade pra vocês. Valeu!!! \m/


Para conferir novidades da banda, podem acessar o My Space, Facebook e o Twitter.

Entrevista: Lost Forever (Agosto 2011)

A banda Lost Forever é uma banda de Metal já conhecida na cena do Metal Carioca. Formada em 1997, a banda está lançando seu segundo álbum, chamado “Rising”.

Sua formação conta com: James Galvão (vocal), Fabbio Nunes (guitarra), Andre de Lemos (baixo), Andre Tavares (teclado) e Rene Shulte (bateria).



A banda está lançando o álbum “Rising”, como foram as gravações e a produção do álbum ?

Andre de Lemos: No que toca às gravações, tudo foi bastante tranqüilo. O Sidney Sohn foi nosso produtor e soube equilibrar muito bem as coisas para todos dentro do estúdio. Ele é um profissional exemplar. Graças a ele pudemos experimentar três estúdios distintos, o que possibilitou grandes resultados em termos de timbres. Além disso, tudo que se poderia fazer em termos de performance individual atingiu seu máximo potencial graças a sua competência.

Fabbio Nunes: Trabalhamos com calma para tentar tirar o máximo de cada um, de forma que, a música ficasse em primeiro lugar. Todos os músicos tiveram esse “timing” e deram sua importante contribuição juntamente com o nosso produtor, que soube exatamente o que a banda pensava sobre o trabalho.

Como a entrada de James Galvão (vocal) e Andre Tavares (teclados), contribuíram para esse processo?

James Galvão: Quando eu entrei para a banda, regravei todos os vocais e busquei colocar mais melodia e criar harmonias, sem deixar de soar agressivo nos momentos certos.

Andre de Lemos: O Andre Tavares também entrou para a banda depois de todo o processo de gravação estar finalizado. Ambos têm sido incrivelmente dedicados à banda e sua proposta e já estamos compondo material novo com eles!

Fabbio Nunes: É muito difícil entrar numa banda com tudo “pronto”, não é fácil ouvir as músicas já com uma característica concebida e, mesmo assim, contribuir com profissionalismo e dedicação para que a música fique o mais coesa possível. O James fez isso e muito mais, superou todas as expectativas, que já eram grandes para a gravação dele, sem falar no material novo, que por sinal está ficando muito interessante, já que o James agora está podendo criar mais. O André Tavares, que já chegou com o “Rising” finalizado, tem feito um excelente trabalho dentro da banda, tanto na execução das músicas quanto no comprometimento e companheirismo. E compondo o nosso novo material com muito talento. Estamos muito felizes com eles!

O nome “Rising” tem algum significado especial para a banda ?

James Galvão: Antes da mudança de formação, o nome do álbum seria “Nexus”, porém, logo após a minha entrada na banda, chegamos à conclusão de que o nome “Rising” era perfeito para esse novo momento do Lost Forever.

Andre de Lemos: Tem significado, claro. Não é apenas a faixa-título. Foram muitas as mudanças nessa banda desde o início da produção deste álbum, em todos os sentidos. Tudo o que foi vivido e experienciado, cada entrada e saída de integrantes, enfim: boa parte da história da banda foi redimensionada e ressignificada nesse meio-tempo e tudo isso se reflete muitíssimo bem nesse título. Esse material gravado e agora lançado é, de certo modo, um belo sumário desses passos todos em nossa caminhada até aqui. Ele sintetiza nossa luta por ascensão. Isto é, continuar crescendo, amadurecendo como músicos e banda, sem desistir jamais daquilo que escolhemos fazer: nossa música. Pode até parecer brincadeira, mas “Rising” tem muito mais a ver com nossa filosofia como banda. É muito mais coerente (tem mais “nexus”! Risos) com quem somos hoje e o que queremos para a banda. Ou seja, continuar crescendo. A caminhada continua.

Fabbio Nunes: Sem dúvida o momento é de ascensão, não poderíamos rebatizar o trabalho de maneira diferente. Sofremos com mudanças, umas que nos fizeram atrasar um pouco o processo e outras que nos fizeram tomar a direção que tomamos e está dando certo. A entrada do James é um exemplo de que as coisas melhoraram e estão melhorando. Agora é trabalhar que estamos no caminho certo.


A banda esperou desde 2004 para lançar um álbum novo, à que se deve esse hiato tão grande?

Andre de Lemos: Foram muitos os fatores. Desde problemas pessoais e jurídicos, passando pelo entra-e-sai de integrantes, até questões de mudanças de endereço, casamento, vida profissional etc.. Todo o processo de produção iniciou-se em 2006, para se ter uma idéia. Mas até 2009 foi extremamente difícil manter a boa continuidade da produção, dado que a formação da banda passava por problemas que fatalmente redundaram na saída de diversos integrantes. Cada um com sua própria agenda e personalidade, o que dificultava bastante as coisas para uma banda com tanto tempo de estrada e já com uma filosofia própria de trabalho. Essa filosofia é bastante séria, como somos sérios em tudo o que fazemos. O que não significa, é claro, que não saibamos nos divertir (Risos). A mudança de estúdio do nosso produtor (ele fez uma mudança completa e montou um estúdio novo!), a necessidade de termos de regravar todos os vocais e backing vocals, também contribuíram para a demora. Assim como a difícil decisão de um lançamento totalmente independente, que já se mostrou mais do que acertada.

Fabbio Nunes: Como o André mencionou, são muitos os fatores. Cada fator soma com o outro, e com o outro, e assim vai, quando olhamos pra trás vemos o quanto já andamos. A realidade de uma banda independente é dessa forma, todos tem família, emprego e etc. Mas somos “osso duro de roer” (risos). Amamos o que fazemos. Isso não tem preço!

Agora contando somente com 1 guitarrista em sua formação, o quanto isso modificou na sonoridade da banda ?

James Galvão: O Fabbio é um guitarrista muito talentoso, que sabe alinhar técnica e feeling, dando peso na medida certa à banda sem que seja necessária a entrada de outro guitarrista. A banda ganhou muito com isso e as músicas novas que estamos compondo provam que estávamos certos ao apostarmos nessa mudança.

Andre de Lemos: Na realidade modificou pouco, mas há diferenças, claro. No geral, creio que essa mudança nos afetou de modo muito positivo. Inicialmente, ficamos um pouco temerosos. Mas desde que escolhemos manter apenas uma guitarra, honestamente, estamos muito satisfeitos. O Fabbio tem tirado de letra a tarefa... Esse cara é bom! (Risos).

Fabbio Nunes: Tive que me adaptar, até então tenho conseguido manter o peso e tocar as músicas alternando os momentos das guitarras. Alguns arranjos eu sou ajudado pelo André Tavares (Tecladista) e o André de Lemos (Baixista) a preencher, nesse caso, o espaço deixado pela outra guitarra. Na minha opinião, de certa forma os “riffs” estão mais definidos (pelo fato de ser uma guitarra) e o peso continua. A mudança foi positiva.


Dia 21 de agosto, no Teatro Odisséia – Centro RJ será realizado o show do lançamento oficial do “Rising”. O que esperar desse show que será realizado junto com a banda Dreadnox que também está lançando seu novo álbum chamado “Dance Of Ignorance”?

Andre de Lemos: Uma grande celebração não só da história e música dessas bandas, mas de parte (que nos cabe) da própria história do metal carioca. Metal feito por quem está nesse meio há muito tempo e cresceu junto com essa cena que tem andado um pouco apática, mas ainda muito viva. Não é todo dia que bandas que estão por aí há tanto tempo se reúnem de forma tão honesta e sincera para tocarem juntas em lançamento de seus CD’s, ainda mais numa casa tão legal e tradicional como o Teatro Odisséia. Quase todas as bandas que conhecemos quando começamos já desapareceram, salvam-se apenas umas duas ou três. Bandas como o Lost Forever e o Dreadnox sobreviveram e sobreviverão a tudo e a todos, doa a quem doer, por terem o mais alto compromisso com sua música e seus fãs. O resto é “café pequeno”, passa rápido e logo cai no esquecimento.

Fabbio Nunes: Esperamos o melhor, que fique lotado e tenha gente pra testemunhar esse grande evento. Pois as bandas sempre deram e sempre darão o melhor de si, portanto serão dois showzaços. Eu espero também que não pare por aí. Bandas como o Lost Forever, o Dreadnox e outras poucas da nossa época, continuem a fazer seus trabalhos, que as que estão “começando” façam também seus trabalhos. As bandas têm que ousar mais no que diz respeito a arriscar com seus próprios trabalhos. O público vai prestigiar esse tipo de investimento, entende? Existem excelentes bandas e excelentes trabalhos de bandas novas. É só deixarmos a políticagem para os “políticos” e a música para quem quer realmente fazer música, que as mazelas que hoje nós (músicos de Heavy Metal) colecionamos e lamentamos, possa se tornar apenas “flashes” de um pesadelo antigo num futuro bem próximo.

Gostaríamos de agradecer pela entrevista, e fica aí o espaço para mandar uma mensagem para os seus fãs e os futuros fãs também!

James Galvão: Eu quero agradecer pelo espaço dado pelo Rio Metal Blog para divulgação do nosso show e a todos que vem comprando nosso CD e tem comparecido aos nossos shows. O apoio dos nossos amigos, da nossa produtora Rachel Möss, e de todos que fazem parte do nosso dia a dia tem sido fundamental para todos nós.

Andre de Lemos: Nós que temos de agradecer! Obrigado pela oportunidade e pela força! Dia 21 de agosto, todos lá no Teatro Odisséia! Até.

Fabbio Nunes: Obrigado pelo espaço aqui no Rio Metal Blog primeiramente, valeu mesmo! Aos amigos e fãs que tem nos dado força e nos acompanhado nos shows, um “muito obrigado pelo carinho” de coração. Aos futuros fãs, posso falar por todos da banda, esperamos que vocês curtam o nosso trabalho e, se positivo, convido-os a fazer parte dos nossos canais na internet para acompanhar as novidades e shows do LF. Esperamos também, que no dia 21/08, o Teatro Odisséia esteja lotado, pois quem for, verá duas bandas honestas e competentes mostrando o porquê de estarem aí até hoje! Abraços


Para conhecer e ter novidades da Lost Forever, acessem Facebook, Twitter, Myspace, Site e o canal da banda no Youtube.

domingo, 7 de agosto de 2011

Entrevista Jens Johansson, Stratovarius (Agosto 2011)

Photo credit by Alex Kuehr

Rio Metal entrevista Jens Johansson (Stratovarius)

Em 2011 Stratovarius lançou Elysium, segundo álbum contando com o guitarrista Matias Kupiainen e o baixista Lauri Porra. Como os mesmos estão inseridos nos processos de criação e composição da banda hoje?

Funcionou muito bem destas vezes assim como funcionou com Polaris. Nós dividimos as funções de escrever, mas não necessariamente de um jeito igual ou preciso. Quem quiser escrever, começa a escrever. Nós então fazemos algumas demos e juntos decidimos o quê deve ir no álbum atual.

Alguns de nós escrevem em colaboração, outros preferem trabalhar sozinhos. É apenas como cada um de nós quer fazer ou o que nós queremos escrever. É claro que se alguém tem algum tipo de surto psicótico e escreve dez músicas de reggae ou polka, essas músicas provavelmente serão vetadas pelo resto de nós. Nós queremos manter o foco no que o Stratovarius tem sempre sido: metal melódico com um mensagem positiva e esperançosa.

Como foi o processo de criação de Polaris (2009)? Existiu algum tipo de diferença entre o modo de trabalho entre Polaris e Elysium?

Só que nós conhecemos a cada um melhor agora. Nós tocamos em mais de 120 shows juntos e a banda está mais unida como pessoas e como músicos.

A música “Elysium” possui 18 mins de duração. Alguma curiosidade acerca do tema da música ?

Para mim, esta é uma música sobre esperança em face ao desastre. É a primeira demo do Matias que eu ouvi para “Elysium”. Eu fui imediatamente vendido na idéia. Ela era maior no início, ele cortou aproximadamente 10 minutos de material. Então, essa é a “edição de rádio”, por assim dizer.


Photo credit by Alex Kuehr

Jens, como essa é nossa primeira entrevista com vocês aliado ao fato de admirarmos e acompanharmos a trajetória do Stratovarius, gostaríamos de fazer umas pergun

tas talvez um pouco delicadas, por favor, se se sentir pouco a vontade para respondê-las e não o quiser fazer, fique a vontade. Ainda existe algum tipo de briga judicial sobre o nome da banda?

Pra responder sua pergunta de forma breve, não. Não existe nenhuma disputa legal que eu saiba.

Não é realmente delicado ou

desconfortável falar sobre essa questão, mas a maioria do que se pode dizer sobre isso já foi dito de alguma forma. Eu entendo se isso interessa às pessoas lá fora, esses tipos de disputas são nor

malmente o que prende a atenção na internet dentro de gigantes guerras calorosas ou vende jornais e etc. Mas no final, eu não est

ou interessado na atenção da internet ou em vender jornais, eu sou um músico.

Como é o relacionamento entre os atuais menbros do Stratovarius e o Tolkki?

Eu diria que é cordial e educado, com uma nota de suspeita. De todas as pessoas na banda, eu acho que eu me comunico mais com o TT. Eu estranhamente, de

alguma forma, ainda o considero um amigo, mesmo que isso tenha sido um pouco difícil de manter essa crença quando a merda tem estado voando em alguns momentos. Eu realmente desejo tudo de melhor pra ele. Ele tem um talento enorme, é um gênio, num ponto muito difícil. Os surtos de raiva e confusão que ele

tem às vezes são as cruzes que ele tem que carregar. Eu ainda acredito que nos anos a partir de agora nós todos iremos apenas rir sobre toda essa merda que aconteceu. Na verdade, agora já tem desaparecido muito, pelo menos do ponto de vista dos fãs.


Quando Tolkki deixou a banda, havia a notícia que a banda preparava um novo álbum, chamado “Revolution Renaissance”. O mesmo chegou a vazar na internet completo com o Stratovarius, mesmo que em uma versão demo. Qual o sentimento da banda com esse acontecimento ?

Se eu tomar a liberdade de falar por cinco pessoas com uma boca, no momento, perfeitamente OK! Isto está a poucos anos no passado agora. Eu gosto de ambas as gravações, as demos Strato-RR, e a produção “Revolution Renaissance/New Era” com os outros músicos que Frontiers depois colocou pra fora. Você tem que lembrar que a gravação Strato-RR foi só uma demo. Isto é muito rude! Eu acho que isto ainda tem um monte de características, essas duas gravações me mostram exatamente que você não pode simplesmente substituir uma banda e manter as músicas e esperar o mesmo som e sentimento. O RR/NE é mais polido mas talvez falte um pouco em característica. Timo colocou isto junto com muita rapidez, se eu me lembro ele até brincou e usou a palavra "Ikeavarius", que é só uma abreviação para algo muito facilmente colocado junto. Eu posso entendê-lo de várias maneiras. Contratar competentes músicos de estúdio para botar junto num álbum é um procedimento indolor, como juntar uma estante Ikea. Stratovarius era—e é—uma coleção de características algumas vezes bastante difícil.

Para mim o som das demos é um pouco como um velho par de confortáveis (talvez rasgados) jeans versus um novo e brilhante par de jeans diretamente da loja da produção “real”.

Os membros do Stratovarius chegaram a ouvir o material, agora gravado pela banda “Revolution Renaissance” ?

Bem, eu pelo menos ouvi. Tem algumas coisas realmente boas lá!

Voltando a tempos mais recentes, percebemos que o conceito da arte gráfica de Elysium lembra um pouco a que foi utilizada em Infinite (lançado em 2000). Infinite marcou uma era na fase antiga do Stratovarius, seria Elysium um marco para a nova formação?

Eu não faço idéia! Nós só gravamos as músicas que tínhamos na mesa. Como sempre. O trabalho artístico é de Guyla, que é um grande talento visual. Ele o adaptou livremente ao conceito de “Polaris” e alguns fragmentos de letras. Mas não existe um grande plano abrangente.

Photo credit by Alex Kuehr

Como a banda está sendo recebida nos shows e como está sendo a repercussão de Elysium?

Resumindo: A banda, Polaris e Elysium tem sido super bem recebidos.

Recentemente pudemos assistir a passagem da banda pelo Brasil juntamente com os alemães do Helloween e o que vimos foram duas bandas bem entrosadas e que estavam se divertindo muito no palco. Esse sentimento que foi passado no palco é o mesmo da banda nos backstages da turnê? Como tem sido excursionar com o Helloween?

Eu era inicialmente suspeito, desde que eu não conhecia aqueles caras de forma alguma antes de nós fazermos a turnê. Eu descobri que eles eram realmente boas pessoas. Aquela banda tem algo muito forte e características interessantes também; Helloween é uma banda de rock old-school cheia de verdadeiros esquisitos. Sobre a turnê, eu realmente adorei no final!

Jens, uma coisa que me chamou a atenção foram as poucas datas em solo brasileiro, o que aconteceu para isto ter ocorrido?

Eu não sei. Nós normalmente tocamos no Rio, por exemplo. É provavelmente por causa de tantas bandas que estão competindo pelo dinheiro dos ingressos dos fãs agora. Isso não costumava ser desse jeito antes de começar todos os downloads de músicas. Mas hoje em dia é impossível para os artistas fazerem a vida somente vendendo discos. Então ele tem que pegar a estrada. Triste mas verdadeiro.

Há a chance do “Stratovarius” excursionar mundialmente, sozinho, ainda com a tour do álbum “Elysium”?

Eu não penso em outra turnê mundial após seis meses que nós já fizemos está nas estrelas, nós todos já pensamos em fazer o próximo álbum. Mas nós faremos mais uns poucos shows, na Rússia e provavelmente na Finlândia no outono.

Quando Stratovarius lançará um DVD ao vivo?

Boa pergunta! Não faço idéia. Existem alguns planos mas por agora nós focamos na música. Stratovarius tem tido má sorte com DVDs. Duas produções de DVD todo “explodido” já foram no banheiro, com centenas de milhares de euros perdidos.

Polaris, foi relançado com um disco bônus trazendo músicas gravadas ao vivo ao longo da turnê do mesmo álbum. Porque optaram por este formato e não por lançar um álbum separado ao vivo?

Para dar aos fãs um pouquinho mais de valor pelo dinheiro, e para dar às pessoas que não compraram “Polaris” um incentivo a dar uma ouvida. Eu acho que foi dado preço como um CD simples.

Jens, este espaço é todo seu para enviar uma mensagem aos fãs.

Oi!


quarta-feira, 27 de julho de 2011

Entrevista Marcelo Barbosa (Julho 2011)



Marcelo Barbosa (Khallice, Zero 10, Almah) é um verdadeiro prodígio na guitarra, iniciando cedo seu amor pela guitarra e dedicação aos estudos do instrumento, Marcelo se tornou uma das principais referências quando o assunto é guitarra no Brasil.


Virtuoso e liberto para percorrer diversos estilos e tons é com ele que conversaremos nestas vastas linhas.


Marcelo, obrigado pela oportunidade da entrevista. Vamos começar. Marcelo o que o fez gostar de guitarra? Quais suas principais influências?


Olá, de nada. É um prazer dividir um pouco da minha história e experiência. Comecei na guitarra cedo, aproximadamente aos treze anos. Obviamente, neste momento era apenas uma brincadeira e meu contato com o instrumento era totalmente descompromissado. O interesse surgiu, acredito eu, por que na época o Rock Brasil estava em alta. Bandas como Capital, Ira, Legião etc ... Faziam muito sucesso e era comum os adolescentes quererem tocar um instrumento e ter uma banda. Pouco antes disso havia acontecido o Rock in Rio I, que chamou a atenção da grande mídia para o Rock e o Metal colocando a gente de cara com o Maiden, AC/DC e tantas outras maravilhas que vieram para tocar neste festival. Acho que o momento era rico, o solo era fértil e eu, fatalmente, fui uma das sementes plantadas que acabaram por germinar. Quanto às influências, isso é muito abrangente... E muda de tempos em tempos. Vou citar as que influenciaram quase todos os guitarristas de rock da minha época como Vai, Satriani e Malmsteen. Depois disso, de maneira mais específica, comecei a curtir muito o som do Greg Howe, Kotzen , Michael Lee Firkins e Brett Garsed. Acho que eu poderia passar o dia citando guitarristas e músicos maravilhosos que se não me influenciaram diretamente ao menos me inspiraram mas se a pergunta é para uma dica do que ouvir podemos ir por outro caminho. Pra começar, evite ao máximo música vazia e sem expressão. Estraga o ouvido e o senso estético de qualquer um. Aos poucos você começa a não achar tão ruim e se vacilar começa a gostar. É como um processo de emburrecimento, mas no âmbito musical. Quer pesquisar uns sons bons e não tão conhecidos? Posso indicar alguns: Diego Figueiredo, Allen Hinds, Danielle Gottardo, Alex Hutchings e centenas de outros.


Pelo que consta em sua biografia em seu site, você iniciou os estudos das cordas aos 12 anos se tornando músico profissional aos 17. Qual era o ritmo de estudo para que este resultado fosse alcançado tão rapidamente?


Como eu disse, no início tudo era muito leve e sem cobrança. Com 15 anos de idade comecei a estabelecer um ritmo de estudo mais forte e dos 16 em diante eu tocava basicamente o tempo todo. Fiz a prova da ordem dos músicos prestes a completar 18 pois teria que me alistar naquele ano e a aeronáutica, exigia alguma profissão para que pudéssemos nos alistar nela. Pensei que se eu fosse um profissional da guitarra poderia me alistar lá e não ser convocado, pois não imaginava uma banda marcial com uma guitarra elétrica em sua formação. Não acredito que tenha sido por isso mas acabei sendo dispensado e a carteira da OMB (que aqui em Brasília era até relativamente difícil) desde então nunca me serviu pra nada. Rs...


Em 1996 você fundou o GTR, que hoje é uma referência nacional aos estudantes de guitarra não só no Brasil, mas na América Latina também, conte-nos um pouco mais do surgimento desta idéia e como foram os primeiros passos deste instituto? Você imaginou que o GTR um dia iria chegar a este patamar? Como é feita a administração atualmente?


Eu costumo sonhar alto, mas entre sonhar e ver esse sonho aos poucos se tornar uma realidade há sempre um grande espaço. Hoje o GTR é uma instituição sólida, com 15 anos de tradição. Tenho alguns funcionários que cuidam da rotina da escola e um braço direito que permite que eu mantenha minha vida artística acontecendo enquanto a escola funciona. Fora isso, de maneira geral, estou sempre envolvido, dando aulas e direcionando a administração e o marketing da escola. Fico ali meio que com aquele “olhar de girafa” vendo de tudo um pouco e pensando em como obter os melhores resultados.


Quantos alunos foram formados ao longo destes anos e quais nomes promissores você indicaria para ficarmos de olho?


Nossa, eu não saberia te precisar um número. São muitos. Quanto aos nomes promissores, muitos já estão se destacando na cena. Posso citar alguns, mas com certeza esquecerei de outros. Vamos lá: Bruno Albuquerque, Diogo Mafra, Alex Pires, Dimas Andrade, Rodrigo Karashima, Rodrigo Fernandes, Lucas Fagundes, Rodrigo Vegetal, Ian Bemolator... E muitos outros.


Marcelo Barbosa Com o Khallice.


Em 2003 você lançou junto com Michel Marciano (Bass), Pedro Assumpção (Drums), Renato Gomes (Keyboards), Alírio Netto (Vocals), o álbum de estréia do Khallice, The Journey?Do que você se lembra desta época?


Bom, o The Journey na verdade foi lançado antes disso. Acho que em 2003 ele foi relançado, dessa vez por uma gravadora, pois até então era um CD independente. A maioria das músicas foi composta por mim, ainda muito novo e aos poucos fechamos um repertório e resolvemos gravar. Nós não tínhamos muito dinheiro e a grana que usei para pagar a gravação foi uma pequena herança que recebi com o falecimento da minha querida avó. Ela havia sido a pessoa que me deu minha primeira guitarra também, portanto, não achei que ela se incomodaria, se eu gastasse o dinheiro com isso. O valor que recebi não era muito e acredito que serviu para pagar aproximadamente 40% da gravação. O resto eu banquei com aulas de guitarra. Demorou bastante tempo para o CD ficar pronto pois estávamos sem vocalista, foi um puta trampo. Mas no final tudo deu certo.


Como foi a recepção do álbum?


Bem melhor do que imaginávamos. Fizemos muitos shows, vários deles em festivais gigantes pra mais de 20 mil pessoas. Assinamos com uma gravadora nacional e depois com a estadunidense Magna Carta. Muitos frutos foram colhidos desta empreitada.


Marcelo, o Khallice foi apelidado pelos fãs como o “Dream Theater brasileiro”, sendo considerada até como a melhor banda de prog metal do mundo, o que você acha desta comparação? E quais suas impressões sobre o Dream Theater?


A comparação era inevitável. O estilo é o mesmo e o DT é a maior referência no estilo. Adoro DT. É sem dúvida uma das minhas bandas favoritas, mas gosto mais dos CDs mais antigos, até o Scenes From A Memory. Tem muita coisa boa depois dele, mas acho que até então havia uma aura que aos poucos se perdeu. Ou fui eu quem mudei.... sei lá...


Em 2008 o Khallice retornou com o EP, Inside Your Head, o que ocasionou a demora para este segundo lançamento da banda? Existem planos futuros para a mesma?


Todos na banda são músicos profissionais e vivem de música. Cada um tem os seus projetos e a sua rotina de trabalho e às vezes fica difícil conciliar. Nesse interim eu entrei no Almah, gravei o Fragile Equality, excursionei pelo Brasil com banda, fui pai... rs Muita coisa aconteceu. Lançamos o EP no Rio de Janeiro, na abertura do show do Dream Theater, pois fomos escolhidos por eles via concurso para participar deste evento. Sem dúvida gravaremos material novo com o Khallice. Assim que nossas agendas se encontrarem novamente. Rs


Marcelo Em Ação Nos Tempos de Khallice.


Como foi a participação na coletânea Guitarras do Cerrado em 2003 e nas recentes coletâneas virtuais, Heróis da Guitarra?


É sempre bom estar envolvido neste tipo de iniciativa. Além do prazer de tocar ao lado de excelentes músicos é uma oportunidade de experimentar algo diferente, novo.


Qual você acha a importância deste tipo de trabalho na música nacional?


Acho que qualquer mobilização que tenha como objetivo fomentar a cena do rock, da música instrumental, da guitarra em sim, extremamente válidos. Esses estiulos não têm abertura na grande mídia, portanto, dependemos de iniciativas como essas pra divulgar e propagar esses trabalhos.



Marcelo Com Seus Companheiros do Almah.


Atualmente você faz parte do line-up da banda Almah. Como tem sido esta experiência e como foi o convite para sua entrada na banda?


A experiência com o Almah tem sido maravilhosa. Bom, quanto ao convite, eu já conhecia a galera do Angra de longas datas e, inicialmente, o Edu Ardanuy estava tocando na banda. Quando ele decidiu não continuar me indicou. Como já conhecia o Edu e o Felipe acho que minha entrada acabou sendo natural.


Como foram as gravações de Fragile Equality e como estão os processos para o lançamento do terceiro álbum do Almah?


O Fragile foi o primeiro registro com essa formação e rendeu bons resultados. Acabamos de receber a master do Motion e estamos muito empolgados com o resultado final. O lançamento mundial está previsto para setembro e estamos muito ansiosos pelo lançamento. Está tudo praticamente pronto esperando apenas as datas previstas pelas gravadoras.


Marcelo Com o Angra.


Ainda no meio do Rock/Metal, recentemente você foi convidado para tocar em alguns shows do Angra. Como tem sido esta experiência e a receptividade dos fãs?


O Kiko é um amigo e parceiro de longas datas. O primeiro workshop organizado pelo GTR foi com ele e o mesmo me contactou há algum tempo perguntando se eu não poderia substitui-lo em alguns shows. Pra mim é uma honra receber tal convite tanto pelo que ele representa pra guitarra mundial quanto pelo que o Angra representa. A experiência tem sido gratificante e os fãs têm me recebido com muito respeito e carinho. Não há nada o que reclamar, tudo lindo.


Fugindo um pouco do som pesado, vamos falar rapidamente sobre sua outra banda, a Zero 10. Qual o tipo de som que você executa nesta banda?


A Zero10 é uma banda que acaba de completar uma década. Tocamos Pop/Rock de qualidade desde Tears for Fears até Nickelback passando por muitos outros. É pura diversão. Tocamos todas as semanas sempre com um bom cachê e em casas comumente lotadas.


Para uma grande parcela da população, o fã e/ou o músico de Rock/Metal é um ser bitolado que não consegue ter a percepção de outras sonoridades. A banda Zero 10 é uma pequena amostra de como isso não é real, óbvio que temos fãs xiitas em todos os estilos de música, não só no Metal. O quão é importante para você como pessoa e músico explorar outras sonoridades e estilos?


É importante saber que estilo musical não é religião. Adoro Pantera e também Simply Red. Tudo que é feito com verdade, qualidade e bom gosto me apetece. O problema é justamente esse separatismo que, em minha opinião, não deveria haver. Eu sou uma pessoa que artisticamente busca o novo sempre. Ouvir outros estilos te dá uma nova percepção de sons, cadencias harmônicas, fraseados e melodias. O cara pode ser um puta músico, mas se em 2011, gravar o CD que o McAlpine gravou em 1995, para mim, tem valor técnico e talvez comercial, mas não artístico. A música é uma combinação infinita de sons e climas mesmo quando limitadas por um estilo musical específico. Vale à pena tentar sair do óbvio.


Marcelo, como você vê a cena que possuímos hoje no país? O que na sua opinião falta para termos uma cena forte e estável?


Se você se refere à cena metal ela é fraca sim. Acho que em parte fruto da desunião mencionada na outra pergunta. A cena é pequena e muito dividida. Isso acaba segmentando demais o mercado. Acho que falta união entre as bandas e os fãs. Qualquer movimento musical ou cultural forte, que deu certo e se manteve, surgiu da união de pessoas com o mesmo fim. É isso que falta.

Marcelo Barbosa, Live.


Quais os percalços que um músico enfrenta neste nosso país atualmente?


Os mesmos que todos os outros cidadãos, só que um pouco pior. Em um país onde a maioria não tem as suas necessidades básicas supridas a cultura fica em milésimo lugar né? Antes vem o comer, viver, vestir etc, etc, etc. O buraco é bem mais embaixo. Esse assunto dá pano pra manga. Poderíamos fazer uma entrevista inteira só sobre ele. De qualquer forma, acredito que quem trabalha com dedicação e seriedade em qualquer segmento se destaca e se estabelece. Não posso reclamar em nada da minha vida. Vivo muito bem, e o que tenho vem da música. Isso por si já é uma benção.


Com anos de experiência e estrada, existe algum artista ou banda que chame sua atenção nos dias de hoje?


Sim. Vez ou outra aparece. Todos que citei na primeira pergunta por exemplo. Mas minha atenção pode ser chamada por diversos motivos. Pelo nível de produção. Pelo grau de simplicidade e ao mesmo tempo autenticidade de um trabalho. Enfim, o dia que acontecer de nada me chamar atenção na música eu perco o tesão de tocar. Estou sempre empolgado e adoro o novo.


Marcelo chegamos ao fim da entrevista, espero que não tenha sido uma tarefa maçante responder a nossas perguntas. Muito obrigado mais uma vez. Fica aqui o espaço para você enviar um recado aos fãs:


Imagina, é sempre um prazer. Agradeço o carinho de todos. Espero que em breve nos encontremos pessoalmente com o Almah ou outro trabalho. E lembrem-se: "Nós somos aquilo que fazemos repetidas vezes, repetidamente. A excelência portanto não é um feito, mas um hábito" O que você anda fazendo na sua vida?


Abraços!